A Amizade para Deus

A amizade pode ser um caminho de salvação ou de condenação. Para São Francisco de Sales, os amigos se animam e conservam-se no serviço da fé. Isso é possível porque nenhum de nós é como o personagem do filme “Náufrago”, que está afastado da convivência, após um acidente, a partir do qual aparece em uma ilha, sozinho, com uma bola de voleibol, chamada Wilson, com quem começa a conversar.



Ao contrário do personagem do filme, somos influenciados por outros, e os influenciamos, mesmo sem ter consciência de, e como fazemos. Por isso tanta insistência de bons e santos testemunhos: o “sede santos” é um mandato, na Escritura e no Cristianismo, que permite brotar uma árvore no meio de um deserto. Por meio de uma relação de amizade que conduz para Deus, podem brotar duas, três ou muitas... E nisso gosto de lembrar de São Francisco de Sales em sua relação com Santa Joana Francisca de Chantal, a quem acompanhou espiritualmente, bem como São João Bosco, que, mesmo vivendo três séculos depois, certamente cultivou a amizade com o bispo santo.


Todos, que temos amigos, sabemos como é bom ter em quem confiar, com quem se divertir, passar o tempo. Quando, na grande quinta-feira, Jesus anuncia que um dentre os discípulos iria lhe trair, vemos um discípulo deitar a cabeça sobre seu peito, o que nos faz contemplar a serenidade e a abertura de um bom relacionamento. Depois, em seu Evangelho, São João nos conta que Jesus havia dado a conhecer o que tinha de íntimo: “tudo aquilo quanto ouvi de meu Pai”.[1]Por conta disso o mesmo Senhor os chama amigos, o que agora nos faz contemplar a sinceridade e verdade no conhecimento mútuo deste tipo de relacionamento, que também deve ser cultivado entre nós.


A beleza da amizade se expressa quando um edifica o outro, sustenta nas dificuldades da caminhada, divertem-se sem perder de vista o serviço a Deus e aos irmãos e a finalidade da nossa existência: ir ao encontro de Deus e com Ele viver na felicidade de sua presença na eternidade. Afinal, a primeira amizade a ser cultivada e conservada é com o próprio Criador; as demais devem existir em função desta primeira. Note-se que “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que vos mando”[2]: quem e quantos formos, devemos ter uma mesma finalidade, que é ser escada para os outros encontrarem o céu.


Caso tenhamos dificuldades para discernir se são boas ou não as nossas amizades, o critério de discernimento é, em uma pergunta: “Esta amizade nos conduz pelo caminho do Evangelho?”. Se não me leva ao Senhor, devo me afastar para pegar o impulso de uma corrida, e quando estiver com maior clareza e firmeza no caminho, correr para frente com tal força que possa impulsionar, para Deus, este meu amigo que está interiormente distante do Senhor. Do contrário, até mesmo a árvore que se preparava para brotar no deserto morrerá antes de crescer.


Nunca esqueçamos que amicus cognoscitur amore, more, ore, re (conhece-se o amigo pelo amor, costumes, palavras e ações), e exerçamos nossa influência para conduzi-los para o bem.


Que as minhas e as tuas amizades sejam purificadas e edificadas no caminho do Evangelho, para que, juntos, mudemos o deserto, que nos circunda, em uma vasta floresta: nós e nossos amigos.



[1]Jo 15,15

[2]Jo 15,14


Autor:


Pastores Dabo Vobis
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