Nossa Senhora de Fátima e o apelo à vivência cristã


A Santíssima Virgem Mãe de Deus, sempre faz um apelo constante: “ouvi tudo o que Ele vos disser[1]. No advento das ideologias contemporâneas, como o marxismo, o feminismo, o relativismo e etc., já presentes em 1917, a Virgem Imaculada faz sua aparição na cidade de Fátima, em Portugal, e aponta para Jesus nos pedindo obediência ao mesmo, e oferece o antídoto para estas correntes, que é a radical vivência das virtudes cristãs, sobretudo do jejum, da penitencia e da oração.


Já antes das aparições da Imaculada, aparece o anjo de Portugal e ensina para as crianças algumas orações, entre elas a oração de reparação ao Santíssimo Sacramento, e também dá a primeira comunhão para elas, mostrando a primazia da Eucaristia na Igreja, e a maneira como deve-se preocupar com dar o devido culto a Jesus Eucarístico, pois é nele que se alicerça a vida espiritual de um católico, “a Eucaristia é fonte e ápice de toda vida cristã”[2].


Segue a oração ensinada pelo anjo: Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-vos. Peço-vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não vos amam. Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-vos profundamente e ofereço-vos o Preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.


Nesta oração também se destaca o desejo ascendente de reparação, onde se quer de toda a alma que Deus receba o culto que lhe é devido. As palavras do anjo suscitam com esta oração um profundo amor por Deus e pelos irmãos e o desejo de que estes cheguem à perfeita comunhão com Deus, onde se passa a almejar o estar plenamente unido a Deus, e adorá-lo do modo mais digno possível, desejo este que no fundo é missionário, pois se quer que todos, mesmo os mais pecadores, os mais culpáveis, cheguem a um estado onde adorem o Senhor com todo o empenho.


Nossa Senhora em sua aparição pede ainda que se reze pela Rússia, que foi o grande palco das ideologias comunistas. A Imaculada não fala diretamente de um combate no campo ideológico, algo que também é importante e tem o seu devido lugar, mas se preocupa com a atitude orante do cristão. Assim, ela pede que se consagre este país ao seu Imaculado Coração: é por ações sobrenaturais que se deve combater tais inimigos. A vitória não é obtida por forças humanas, a dedicação a um combate a tudo isto é importante, mas deve ser precedida sempre pela oração.


Ademais, logo no início das aparições, a Mãe de Deus pergunta às três crianças: “quereis sacrificar-vos pela conversão dos pecadores?”. A Virgem com isso aponta para a importância de se fazer sacrifícios, jejuns e penitências, aspectos da vivencia cristã já quase que abandonados nos dias de hoje, boa parte devido a uma teologia da prosperidade, que coloca toda forma de sofrimento como “diabólica” e a despreza, sem considerar a antiquíssima tradição católica que prega a união dos nossos sofrimentos aos de Cristo, para a própria santificação e a conversão dos pecadores, que é justamente para onde a Mãe de Deus aponta.


Nesta mensagem destaca-se a preocupação em relação ao empenho na vivência cristã. Nossa Senhora insiste com os pastorezinhos para que rezem e façam penitência, em outras palavras, que tenham um radical compromisso evangélico. Como sabemos, as revelações particulares não trazem novidades em relação ao que já foi revelado por Jesus, mas apontam para esta Revelação, chamando a atenção para elementos específicos desta, e é justamente o que é feito pela Imaculada. Ela chama a atenção para elementos já existentes da vida cristã, mas quase que esquecidos pela modernidade e que devem ser retomados, para que tenhamos uma real vivência continua da adoração, a fim de repararmos os nossos pecados e contribuirmos para a conversão dos pecadores através de uma vida penitente.

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!


[1] Jo 2,5 [2] Catecismo da Igreja Católica, 1324

Autor:

Pastores Dabo Vobis
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