Nossa Senhora, Mãe e Rainha das vocações

Em nosso caminho vocacional, somos zelados por inúmeras pessoas que dedicam a Deus suas orações por nossas vocações. Isso expressa uma enorme gratidão a Deus, o qual chama homens do meio do povo para as relações com Deus e para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados do povo (cf. Hb. 5,1). Portanto, ao falar sobre vocação, sobre homens que são chamados por Deus a uma vocação santa, sobre homens que são capazes de renunciar a si mesmos, tomando a sua cruz para seguir a Cristo (cf. Mt. 16,24), não podemos nos esquecer da figura materna de Nossa Senhora, aqui invocada sobre o título de Mãe e Rainha das vocações.



O que significa ter vocação? Significa um chamado que Deus nos faz a desempenhar uma missão especifica. Sabemos que pelo nosso batismo somos chamados a nossa primeira vocação, a santidade. A vocação específica é o meio, o caminho pelo qual nos santificaremos. Assim como São João Paulo II nos diz em sua exortação apostólica pós-sinodal Pastores Dabo Vobis, a vocação tem um duplo significado: um Deus amoroso que chama e o homem que, na sua liberdade, responde a este chamado com o seu sim generoso.


Nada melhor, para falar sobre sim generoso, do que aquele dado por Maria ao chamado que Deus a fez através do anjo Gabriel. Maria foi aquela que renunciou a própria vontade para fazer plenamente a vontade de Deus. Seguir a Cristo exige a capacidade de renunciar a si para sermos totalmente abertos a vontade de Deus.


Maria queria saber como se daria aquilo que o anjo lhe anunciara. Ao nos depararmos com a vocação, também nos perguntamos como se dará. Certa vez um diretor espiritual disse que é necessário saber o “porquê” para se compreender o “como”. Quando estamos totalmente abertos à vontade de Deus, Ele nos ajuda, mesmo sem entender o “porquê”, a superar qualquer “como”. O anjo Gabriel lhe disse que Isabel estava no terceiro mês de gestação, aquela que é tida como estéril, “pois para Deus nada é impossível” (cf. Lc. 1,37). Aquilo que muitas vezes parece impossível a nós ou mesmo difícil, por assim dizer, para Deus é apenas uma gota no oceano, basta que nos lancemos no braço acolhedor d’Aquele que nos chama. Assim nos diz o livro de 1 Tessalonicenses 5, 24: “Quem vos chamou é fiel, e é ele que agirá”.


Nossa Senhora é aquela que, ao dizer o seu Fiat (faça-se), corre ao encontro de sua parenta Isabel para lhe ajudar em seu tempo de gravidez. Aprendamos com esse gesto de Maria. O nosso chamado, a nossa vocação nos deve impelir a ir ao encontro dos outros. Aprendemos com as catequeses de São João Paulo II que o amor não é egoísta nem mesmo fechado em si. Quando somos alcançados pelo amor misericordioso de Deus, ele transborda em nosso coração e por isso, assim como Maria, vamos ao encontro de quem necessita. Este encontro pode ocorrer até mesmo pelas orações que fazemos uns pelos outros, ou seja, não é condicionado apenas ao encontro físico.


No primeiro milagre de Jesus, lá está Maria, intercedendo por aqueles que não tinham mais vinho (cf. Jo. 2, 3). Quando nos colocamos na presença materna de Nossa Senhora, ela leva até seu filho Jesus todas as nossas súplicas, anseios e dificuldades. Ela é mãe e rainha das vocações, porque não deixa seus filhos desamparados. Ela não é Rainha da nossa vocação por um simples título, mas porque nos encaminha ao Rei, que é Jesus. Ela que nos faz estar mais próximos de Jesus, dizendo: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).


A Igreja vive e se sustenta pela Eucaristia. Não poderíamos deixar de citar Maria como uma mulher eucarística. Receber a Eucaristia, assim como nos diz Santa Teresa D‘

Ávila é ter o sangue real, o sangue de Cristo em nós. Nossa Senhora, sendo aquela cujo o ventre foi terra bendita onde o Verbo se encarnou, é mulher eucarística, pois teve o sangue real correndo em si. Maria nos ensina que a Eucaristia é um caminho essencial para bem viver o chamado que Deus faz.


Peçamos a Maria, mulher totalmente fiel ao seu sim, que nos ensine também a sermos fiéis ao sim que devemos dar ao chamado de Deus. Em nosso cotidiano, peçamos sempre a intercessão dessa Mãe, com a certeza de que ela não nos deixará desamparados.


Rogai por nós Nossa Senhora, Mãe e Rainha das vocações; para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Autor:


Pastores Dabo Vobis
  • Instagram - White Circle
  • Facebook - Círculo Branco