O agir cristão diante das frustrações

Quem de nós nunca passou por uma experiência negativa? Um sentimento de grande insatisfação? Tantas coisas ou situações que não correspondem às nossas expectativas, respostas que nem sempre queremos receber, objetivos pessoais que muitas vezes não conseguimos cumprir, seja pela falta de percepção, limitações ou falta de força de vontade.


Nesse sentido, um sentimento de frustração é gerado, esse sentimento é nada mais que o estado de um indivíduo quando é impedido por outrem ou por si mesmo de atingir a satisfação de uma exigência que o motiva. Todos nós temos projetos de vida, de trabalho, estudos entre outros e esperamos que eles possam ter êxito; porém, é bem verdade que estamos sujeitos às falhas, que são fatores contingentes.



Sob uma perspectiva cristã, podemos tomar como exemplo os próprios discípulos de Jesus que passaram por diversas situações de alegria e exultação, mas também experimentaram grandes frustrações. Podemos citar dois episódios no caminho de Simão Pedro, que reclamou ao seu Senhor: “Mestre, trabalhamos a noite inteira sem nada apanhar...[1]; e mesmo amando a Jesus o negou: “Antes que o galo cante, três vezes me negarás. Saindo dali, chorou amargamente”[2]. Outro episódio é dos discípulos de Emaús que caminhavam abatidos sob o peso da morte de “Jesus, o Nazareno, que foi profeta poderoso em obras e palavras ... esperávamos que ele redimiria Israel, mas, com tudo isso, faz três dias que todas essas coisas aconteceram”[3].


Vemos nas narrações situações internas e externas que nos causam frustração: o trabalho diário, a perda de alguém muito querido, e nós mesmos por nossas fraquezas e limitações. Todavia, as narrações apresentadas, tem um mesmo elemento usado por Jesus para ensinar os seus discípulos, a fé. Se seguirmos a leitura dos Evangelhos, perceberemos que Jesus queria educar os seus discípulos para uma fé madura, e a frustação foi apenas uma provação para torná-los mais firmes na fé.


Vejam só, Pedro lançou as redes “e encheram os dois barcos, a ponto de quase afundarem”[4]; e mesmo tendo negado a Jesus, a Pedro foi confiado o seu rebanho: “Simão, filho de João, tu me amas? ... Apascenta minhas ovelhas”[5]. Também os discípulos de Emaús, que o reconheceram no partir do pão: “Não ardia o nosso coração, quando ele nos falava pelo caminho, quando nos explicava as Escrituras? ”[6].

Na verdade, somos “insensatos e lentos de coração para crer”, a frustração é uma oportunidade para exercitamos a nossa fé e essa é a forma dos cristãos para lidar com essas experiências, sejam pequenas ou grande frustrações.


Este texto não deve ser visto como uma autoajuda ou mais uma metodologia de psicologismos, mas refletir a força da fé que o Evangelho traz consigo. Em vez de ficarmos presos nas nossas insatisfações e frustrações, nos tornemos cristãos mais comprometidos com a fé. Que as frustrações possam ser um sinal, um impulso de que precisamos fazer sim a nossa parte, mas devemos nos confiar inteiramente ao auxílio da graça.



[1] Lc. 5,5

[2] Mt. 26, 75b

[3] Lc. 24, 19

[4] Lc. 5,7

[5] Jo 21, 17

[6] Lc. 24,31


Autor:

José Maurício

(Arquidiocese de Brasília)

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