O sustento da atividade apostólica da Igreja pela oração dos mosteiros

Existem muitas maneiras de consagrar-se a Deus, e nas palavras do Papa Bento XVI há tantos caminhos que levam a Deus quanto existem homens. Um desses caminhos é o dos monges ou das monjas de vida semicontemplativa (ou de vida plenamente contemplativa), vivida nos mosteiros, com os três votos: obediência, pobreza e castidade, e também com uma forma de vida comunitária mais severa e mais forte.



Na vida contemplativa - belo jardim que enriquece a Igreja - são numerosas as ordens de monges de pura contemplação. Pensemos nos Beneditinos, Trapistas, Cartuxos, Certosinos e Camaldoleses (eremitas), as Beneditinas, as Clarissas, as Carmelitas, as Monjas da visitação, Passionistas... os quais levam uma vida de amor celestial que constitui o coração do corpo místico da Igreja.


Os monges, vivendo uma vida mais reclusa, conseguem levar uma vida mais contemplativa, mas essa vida não significa que sejam alienados, alheios ao que está acontecendo fora dos muros do mosteiro ou afastando-se do mundo. Pelo contrário, estão unidos ao mundo através de Cristo por meio da Santa Missa (eixo de toda vida cristã), adorações e por orações, sejam elas comunitárias ou pessoais, como os jejuns e os sacrifícios.



A vida monástica ajuda a sustentar e nutrir a Igreja, e esse sustento passa por todos os aspectos, tanto pela vida contemplativa como também pela vida apostólica. Não existe vida contemplativa sem a vida apostólica, e não existe vida apostólica sem a vida contemplativa, visto que uma é complemento da outra. A vida contemplativa é o pulmão no mundo, o qual filtra tudo e ajuda a vida apostólica a respirar melhor. Sendo assim, vê-se que ambas estão unidas.


Mestres da vida interior e da vida espiritual, os monges, por meio de suas orações, alimentam a vida apostólica, onde muitos não têm muito tempo para a oração, devido aos trabalhos do apostolado. Eis que os monges colaboram como um suporte espiritual, mas também como um suporte psicológico.


A vida apostólica das pessoas que vivem além do mosteiro, não as prepara suficientemente para os fatos que encontrão na vida, no dia a dia, uma vez que a vida apostólica prepara o candidato para as coisas mais externas, fome, sede, frio, seca, tudo isso, mas às vezes sobre como lidar com os conflitos internos, com conflitos dentro da família, com a sexualidade, com as pessoas dentro da paróquia e tudo mais, é a vida contemplativa que lhe vai oferecer o suporte necessário para enfrentar tais obstáculos.


Na vida comunitária o cristão é lapidado como em um laboratório, e colabora como uma reordenação do mundo a Deus. Assim, os mesmos homens que destroem o mundo são reordenados a trabalharem para a construção do Reino dos Céus.


É importante salientar que nos mosteiros os monges celebram a Liturgia das Horas - oração oficial da Igreja - no decorrer do dia, conforme antiga tradição. Nesta bela oração se encontram os salmos, cânticos, os mais belos hinos da tradição da Igreja, e, sobretudo, as leituras bíblicas e patrísticas, verdadeiros tesouros de espiritualidade.


A Liturgia das Horas, se bem utilizada, pode nutrir a vida espiritual e a ação apostólica de quem dela faz uso. Segundo um monge beneditino do mosteiro Nossa Senhora da Ternura, da Diocese de Formosa-GO, a Liturgia das Horas monástica é uma continuação aqui na Terra do que os anjos fazem no Céu, já que é a oração perene, ou seja, por meio dela pode-se louvar e agradecer a Deus, como está escrito nos salmos “Junto aos anjos, Senhor, vos louvarei”[1], e desse modo, a Liturgia da Horas é uma Oração Angélica, uma oração de amor.


Nas palavras do monge, seria preciso entender por que é uma oração de Amor. Não trata-se de um amor por si mesmo, porque seria um egoísmo, e quem o sente acaba se destruindo, pois olha somente para si. No entanto, o monge olha para o outro, para a realidade que está além do mosteiro, para o mundo inteiro. Então quando o monge está rezando, não o faz somente para si ou simplesmente para os irmãos que estão no mosteiro, mas por toda a Santa Mãe Igreja, principalmente pelo trabalho, desejo e fadiga daqueles que são chamados ao serviço apostólico.


Quem saberá a quantidade de graças que são jorradas dos mosteiros? E Deus que tudo enche e tudo ultrapassa, porque é infinito, acaso economizará suas graças a aqueles que estão no trabalho de seu reino fora dos claustros? Eis que o Senhor estende e amplia suas graças, porque ama e deseja que seus filhos se fortaleçam e se salvem. Ele, com grande abundância, alimenta os seus com dons espirituais.


E é magnifico, pois não se vê, onde ou em quem recaem os frutos da oração. Deus recolhe tudo dos mosteiros: orações, sacrifícios, jejuns e vai dando a cada um aquilo que mais necessita. Ele contém as vidas feitas no silêncio e na oração e as transforma em graças, para derramar segundo seja necessário. Assim, por meio das orações dos irmãos que vivem nos mosteiros, muitos alcançam frutos e metas, encontram forças para fazer o bem e vencer o desânimo, avançam sempre pelo caminho reto e chegam ao destino final, que é o Cristo Jesus, o Ressuscitado.



[1] Sl 137


Autor:


Pastores Dabo Vobis
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