Os sacerdotes em tempos de pandemia

Ontem, dia 18/03, muitos de nós vimos circular em nossas redes sociais uma imagem contendo o rosto de pouco mais de vinte sacerdotes, de dioceses italianas, que vieram a óbito após o contágio do novo coronavírus (Covid-19). O número é de no mínimo vinte e sete sacerdotes ao redor da Itália já falecidos nos últimos dias por causa da pandemia, sem possuirmos nesse momento notícia de outras ocorrências como essas nos demais países.


A outros talvez esta notícia possa chegar aos ouvidos e ressoar no coração simplesmente como mais uma lástima dentre tantas nesse período conturbado. A nós católicos, porém, soa mais uma vez como uma bela oportunidade de refletir na importância desses homens de Deus para a humanidade e no seu serviço em prol do Reino de Deus.



Poderiam dizer – e é verdade - que a grande maioria desses padres falecidos nos últimos dias,já fazia parte de uma formaou de outra do chamado “grupo de risco” em relação a esse mal que tem nos assombrado. Entretanto, não me parece ser esse o aspecto mais salutar a ser destacado aqui, mas sim o fato de que esses homens, ao menos em sua grande maioria, foram – muito provavelmente – infectados devido à sua generosidade, à disponibilidade de estarem em contato com fiéis para a eles concederem os necessários sacramentos, em especial a Eucaristia, a Confissão e a Unção dos Enfermos.


Assim, da mesma forma como estão na frente de batalha nesse momento, enfermeiros, médicos e tantos outros com seus serviços imprescindíveis, estes homens consagrados inteiramente a Deus foram capazes de entender que também o seu serviço era essencial, afinal, se nesse momento se faz importante o cuidado do corpo, sabemos que em qualquer ocasião, sempre estará em grau de importância ainda superior o cuidado da alma.


Em tempos recentes tem se popularizado – através de seu apostolado virtual - uma afirmação de um conhecido sacerdote, que diz que “o sacerdote não é um homem, mas o sacrifício de um homem”. A frase, que parece ter encontrado inspiração na incrível obra de Dom Fulton Sheen (O sacerdote não se pertence), se realizou de modo muito concreto na vida de cada um desses sacerdotes e continua a se realizar na vida de tantos outros que no dia a dia, em momentos de crise humanitária ou não, são capazes de, no escondimento que lhes é próprio, doar-se em sacrifício, como outros Cristos na vida de suas comunidades.


Hoje, de modo muito especial, celebramos a solenidade de São José, Esposo de Nossa Senhora e Glorioso Patriarca da Igreja Universal. Apesar de muitas vezes ser figura e inspiração da santidade na vida laical, São José deve ser modelo – e amigo - também para todos os seminaristas e sacerdotes. Isso porque dentre todas as coisas que fez tão bem esse homem justo – como a Escritura nos dá a conhecê-lo – talvez o seu trabalho mais notável tenha sido o de garantir a vinda de Nosso Senhor ao mundo.


Ao deixar a Virgem Maria em segredo, ao invés de em um acesso de ira denunciá-la de modo injusto, como outros poderiam fazer, São José impede a Santíssima Virgem de que seja condenada pelos homens de seu tempo. Em outro momento, é ele a guiar o seu duplo tesouro – o Menino Jesus e Nossa Senhora – na fuga para o Egito, evitando que o Salvador do mundo caísse nas mãos do ímpio Herodes.


Nesses dois exemplos e talvez ainda em tantos outros que não temos notícia, o pai adotivo de Jesus estava ali, o escolhido para cuidar da vida terrena do Verbo de Deus participava ativamente da vinda de Jesus Cristo ao mundo. É essa a missão de cada sacerdote, trazer o Salvador aos homens. Na economia da salvação na Nova Aliança, sabemos que o modo que Cristo quer se fazer presente em meio aos homens é justamente através dos sacramentos. Por isso, cada sacerdote tenha em São José esse exemplo impecável e saberá, como esses sacerdotes italianos – e tantos outros - trazer Jesus Cristo aos homens, que certamente ainda tem sede de Deus.


Por último, suplicamos aqui a intercessão poderosíssima de São José. Pedimos, oh esperança dos enfermos, que por vossa petição ao vosso Filho amado, estejam aos cuidados de Deus cada um dos infectados. Ousamos pedir a extinção deste vírus e a paz interior a cada um de nós para lutarmos com serenidade durante esse tempo, sem jamais deixarmos de elevar os olhos aos Céus. Por último, a vós que também sois chamado padroeiro dos moribundos, pedimos a companhia da Santíssima Trindade a todos esses que foram levados, em especial pelos nossos queridos sacerdotes.


Glorioso Patriarca São José, rogai por nós!


Autor:


Luciano Mattar

(Arquidiocese de Brasília)

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