Por Maria a Jesus!



“Com esta Devoção damos a Jesus Cristo tudo o que lhe podemos dar, e da maneira mais perfeita, porque o fazemos pelas mãos mesmas de Maria.”

São Luís Maria Grignion de Montfort


A cada ano, a Igreja nos convida no mês de maio, a meditar os mistérios com os quais Deus engrandeceu a sua serva, a Virgem Maria. Neste mês dedicado especialmente à Santíssima Virgem, somos convidados a cada dia a crescer na intimidade com aquela que gerou em seu seio Aquele que é o autor da própria vida.


A Santíssima Virgem tem papel fundamental no mistério da Redenção da humanidade, pois ao dar seu sim (fiat) aos desígnios de Deus na sua vida, ao aceitar, mediante a fé, que o Verbo se encarnasse no seu seio, ela permitiu que viesse ao mundo Aquele que o redimiria.


Nosso Senhor Jesus Cristo, na Cruz deu-nos a Virgem Maria por mãe, ao dizer ao discípulo amado: “Filho, eis aí tua mãe”[1]. Também como São João temos que acolher Maria em nossa casa, em nossa vida. É preciso termos a ela esse amor tão grande, para que fazendo tudo por ela, façamos tudo perfeitamente por Cristo. Não há devoção que nos aproxime mais do Senhor, do que a devoção à sua Santíssima Mãe, pois onde o Filho está, aí está essa Boa Mãe. Se estamos juntos a ela, também saberemos estar juntos ao Senhor nas cruzes de cada dia.


Assim como permaneceu ao lado de Seu Filho na Cruz, assim ela permanece ao nosso lado nos sofrimentos e tribulações, pois somos seus filhos. Junto aos mais necessitados, aos mais pobres e agonizantes, ali onde Seu Filho novamente é crucificado, está a Boa Mãe. Ela está sempre atenta as necessidades de seus filhos. Ela vem até nós, para nos reconduzir no caminho que leva até o Céu, pois tantas vezes perdemos de vista esse caminho, mas ela como Mãe amorosíssima nos recorda o caminho, nos aponta-o novamente.


Nossa Senhora jamais ofusca ou tira o olhar de seu Filho, pelo contrário, ela sempre nos apontará Ele, como o único caminho que leva ao Pai, ela favorece nossa união com o Filho. Com o auxílio prestado ao seu Filho na terra, ela coopera para restaurar nas almas a vida sobrenatural, é por isso, que é nossa mãe na ordem da graça. Sua maternidade para conosco perdura desde o seu consentimento à vontade de Deus, para gerar o Verbo em seu seio, até à consumação eterna de todos os eleitos[2].


A Igreja suscita nos fiéis o desejo de aderirem mais intimamente a esta ajuda materna, para assim chegarem ao seu mediador e salvador. Pela união com seu Filho, ela também está intimamente ligada à Igreja. A mesma Igreja imita o seu exemplo, e guarda uma fé íntegra, uma sólida esperança e uma verdadeira caridade. Assim, pelo reflexo de Maria na obra redentora de Cristo, a Igreja presta-lhe um culto especial. Honrando-a desde muitos séculos como Mãe de Deus, a Igreja e o povo a ela recorrem com todo afeto, devoção, piedade e amor em todos os perigos e necessidades, e como já dito anteriormente que Maria jamais ofusca o seu Filho, essa devoção dos fiéis a ela e o auxílio que lhe imploram, faz com que por meio dela conheçam melhor seu Filho e assim o amem e o glorifiquem. Pela fé, os cristãos conhecem o limite mínimo que esta devoção à Santíssima Virgem exige, e pela sua piedade e devoção amorosa recorrem a esta Boa Mãe, com uma devoção verdadeira e autêntica, que nasce da fé e se mantém acesa, longe de um simples sentimentalismo passageiro[3].


Ao recorrermos a ela, podemos ter a certeza daquilo que São Bernardo declarou: “Lembrai-Vos, ó piíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que têm recorrido à vossa proteção, implorado a vossa assistência, e reclamado o vosso socorro, fosse por Vós desamparado”.



Autor:


[1] Jo 19, 27b [2] Cf. Lumen Gentium, n.52 [3] Ibid., n.53