Por que assistir ao Documentário:
“1964 – O Brasil entre armas e livros”?

Enquanto escrevo este artigo, o documentário “1964 – O Brasil entre arma e livros”, da produtora independente Brasil Paralelo,[1]já tem dois meses de seu lançamento e alcança o número expressivo de seis milhões de visualizações(três vezes mais do que o segundo vídeo mais visto da mesma). Isso mostra que esta página da história brasileira, que foi o período do regime militar entre 1964 e 1985, ainda é muito importante para muitos brasileiros, das mais diversas idades e classes sociais.



Antes de responder a pergunta título deste texto preciso trazer à tona mais algumas questões que estão à margem deste documentário e que são relevantes para a popularidade que essa obra causou nas redes sociais.


Tudo começa com o trabalho de divulgação, iniciado em fevereiro deste ano, que mobilizou muitos influenciadores das redes sociais, a eles atribuída a visão política de “direita”, que viam neste filme a oportunidade de “resgatar a verdade sobre o período mais deturpado da história brasileira”– frase esta que foi proferida num vlog por Eduardo Bolsonaro, atraindo assim a atenção da imprensa que buscou vincular ao documentário a pecha de ser “pró-ditadura”.[2]Afirmação que perdurou pelos meses seguintes, até próximo do lançamento em 31 de março.


A película que seria lançada das maiores redes de cinemas do país, por diversas capitais brasileiras, às vésperas do dia de entrar em cartaz foi vetada pela própria exibidora, alegando não buscar envolver-se com “questões político-partidárias”.[3]Isso atiçou ainda mais a curiosidade e mobilização dos favoráveis ao documentário, mesmo o conteúdo ainda não tendo sido revelado até o lançamento na plataforma on-line.


No último 03 de junho, saiu o veredito em primeira instância de que a produtora Brasil Paralelo obteve o direito de resposta na grande mídia diante do fato do produto “1964 – O Brasil entre armas e livros” não ser uma proposta “pró-ditadura” como foi noticiado em fevereiro, no período em que a obra ainda estava na fase de produção final e que, de lá até a sua conclusão, não se ocupou de promover o discurso em favor do regime iniciado em 1964, no Brasil.[4]


Agora, indo ao centro do tema deste artigo, podemos constatar que tanto o histórico do lançamento quanto o próprio do documentário se posicionaram por uma intensa luta de buscar elucidar a verdade dos fatos, tanto recentes, quanto históricos. Essa é uma postura que precisa ser buscada por nós a todo instante na vida.

A obra documental consta do depoimento de muitos pesquisadores, manchetes dos jornais da época, testemunhos daqueles que viveram no período militar, mas principalmente o trabalho tem como eixo o livro “1964 – O Elo Perdido (O Brasil nos arquivos do serviço secreto comunista)”, que traz documentos inéditos, que aumentam substancialmente a importância da influência da URSS nas decisões políticas do Brasil, buscando ter o nosso país como satélite socialista a se ocupar com os destinos políticos da América Latina.


Este novo dado não abona as atrocidades cometidas neste período, pelas duas partes (militares e revolucionários proletários), no entanto, mostra que a verdade dos fatos pode alcançar uma amplitude muito maior do que a simples versão antagônica que foi construída neste último meio século. Apenas no Juízo Universal teremos a plenitude da verdade dos fatos, e aqui, no tempo presente, cabendo a nós sermos humildes e perseverantesem reconhecer a necessidade de adequarmos o nosso intelecto (de pessoa humanas limitadas ao tempo e ao espaço) ao objeto que sempre se revelará tal como um prisma multifacetado, dificultando-nos uma percepção imediata da realidade/verdade que dele emana.


“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”[5], frase bíblica que se esvaziou durante a última campanha eleitoral, sirva-nos de inspiração para ousarmos a nos relacionarmos com a verdade dos fatos que nos são apresentados, tanto no documentário, quanto na vida; deste modo sendo libertos das amarras da ignorância que nos prendem a ideologia e a imanência da vida.



[1]https://www.youtube.com/watch?v=yTenWQHRPIg

[2]https://oglobo.globo.com/brasil/filho-de-bolsonaro-divulga-documentario-que-defende-ditadura-23431083

[3]https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2019/04/02/interna-brasil,746968/cinemark-emite-nota-de-esclarecimento-apos-exibicao-de-filme-sobre-196.shtml

[4]https://youtu.be/pSZf8WSMIF0

[5]Jo 8, 32


Autor:


Pastores Dabo Vobis
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