São José, servo da Palavra do Senhor



As diversas imagens de São José ilustram muito daquilo que era notório

em sua vida, como a castidade (pelos lírios em suas mãos), o trabalho (pelos

instrumentos de marcenaria), a paternidade (por ele trazer Jesus em seus braços) e a

esponsalidade (por ele estar junto a Maria). Entretanto, gostaria de propor a

meditação sobre duas virtudes que são mais veladas nas representações artísticas: o

silêncio e a obediência. Elas são como que alicerces de toda a edificação do Santo

Patriarca.


Se observarmos bem a figura de José de Nazaré nessas mesmas imagens, perceberemos que ele nunca tem expressão de fala. O próprio Evangelho não traz

nenhuma palavra sua, dando-nos a oportunidade de pensar que José era um homem

interiorizado, que mais se comunicava pelo seu olhar penetrante e humilde e pelas

suas obras do que por sua oratória. Outra coisa que podemos notar é que o fato de

ele trazer Jesus no colo, acompanhar sua Santíssima Esposa ou portar seus

materiais de trabalho diz muito sobre a sua prontidão no serviço a ele confiado. Mais

uma vez os textos sagrados (especificamente o Evangelho de São Lucas) nos dão o

testemunho: São José assumiu a paternidade legal do Filho de Maria e provia o

sustento da Sagrada Família, tendo até ensinado seu ofício a Jesus. Mas vamos

nagevar mais nas águas profundas do silêncio e da obediência do Santo Patriarca.


Ser silencioso não é só ser “homem de poucas palavras” ou ser tímido,

introspectivo, de temperamento recolhido. Essas concepções nos dão uma ideia um

tanto quanto negativa do silêncio, como se faltasse vigor àquele que não se expressa

tanto por palavras. Na verdade, silêncio não é ausência, mas presença; não é sinal

de desânimo, mas de vida da alma. Sim, porque o silêncio (silentium, “ficar quieto”), se nos cala, é para que outro fale ao nosso interior. No caso de uma pessoa virtuosa

no silêncio, esse “outro” é o próprio Deus, cujas palavras sustentam o espírito. Fora

disso, qualquer outra palavra - mesmo boa e honesta - não passa de ruído. Será se

essa verdade é difícil de se comprovar? Basta olharmos para nosso íntimo, constantemente atordoado por tanto barulho que ressoa em nós quanto mais nos

envolvemos com as coisas do mundo e da carne ou, pior, do Inimigo.


Percebe-se que do silêncio advém a obediência. Ora, só quem silencia-se

é capaz de escutar o necessário para a vida. Obediência (ob-audire, “prestar atenção”, “escutar com seriedade”), é a virtude de quem é dócil à escuta e prontamente atende à palavra de seu superior. Se a pessoa é barulhenta por dentro, terá muita dificuldade em discernir a voz a qual deve obedecer. Ao contrário, quanto mais se recolhe, seu coração estará mais atento e pronto a servir a quem se deve reverência e culto, como um servo que conhece o seu senhor e só a ele obedece, sem queixas nem retardos, mas docilmente e com energia.


O modelo deste servo bom e fiel é São José. No silêncio do seu coração, soube discernir as ordens divinas de tal modo que, já sendo justo e temente a Deus, entregou-se firmemente a Ele na fé, na esperança e na caridade. Guardião da Virgem

Mãe e do Salvador, mereceu ouvir do próprio Cristo: “Muito bem, servo bom e fiel;

vem participar da minha alegria!” (cf. Mt 25,21). Qual não foi a felicidade de São José

em servir ao Senhor como Seu pai nesta terra? Porém, diante desse mistério

redentor, ele diminui mais ainda e não ousou pronunciar uma palavra alheia, mas

guardou no coração as palavras do Anjo e prontamente fez o que devia fazer até o

fim. Para o servo José, só no silêncio é que ele elevaria a Deus o louvor de ação de

graças por tão bela missão a ele confiada. Obediente e discreto, foi dom total de si e, alegre, deu tudo o que tinha.


Para São José, seu prazer era fazer a vontade do Deus, que se fez Menino em seus braços. Em seu silêncio, só havia gratidão. Em sua obediência, brotava o amor.


Autor:


Pastores Dabo Vobis
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