Sacerdote, o filho predileto da Virgem Maria


Nosso Senhor Jesus Cristo, no ápice de sua paixão, deixa-nos um grande tesouro, sua Santíssima Mãe, e a confia de modo muito especial e predileto ao discípulo amado, São João Evangelista, que em seu evangelho faz memoria dessa passagem; “Perto da Cruz de Jesus, permaneciam de pé sua mãe (...). Jesus, então vendo sua mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse à mãe: “Mulher, eis teu filho! Depois disse ao discípulo: “Eis tua mãe!” E a partir dessa hora, o discípulo a recebeu em sua casa. ”[1]. O evangelho é muito claro ao dizer que tanto João acolheu a Virgem Maria em casa como mãe, como foi acolhido por ela também como filho. E como Mãe de Cristo, que é a cabeça da Igreja[2], é mãe também de todo o seu Corpo Místico, que são os cristãos, e principalmente os da Fé Católica, que devem uma devoção especial à Mãe de Deus.


Nesta dinâmica da maternidade espiritual à Santíssima Virgem Maria, ela é Mãe por excelência dos sacerdotes, os tendo como filhos prediletos, porque, como diz São Josemaria Escrivá: “o Sacerdote – seja quem for – é sempre outro Cristo”[3]. Eles agem na Pessoa do Cristo Cabeça, do Sumo e Eterno Sacerdote de Deus Pai, “segundo a ordem de Melquisedec”[4]. Foi o próprio Jesus que, na Última Ceia, na Instituição dos mistérios do seu corpo e do seu sangue, ordenou os apóstolos a celebrarem a Eucaristia em Sua memória – “Fazei isto em memória de Mim”[5] – confiando a Igreja e os apóstolos a oferecerem o Santo Sacrifício. Nossa Senhora, como mãe de Nosso Senhor, tem especial amor e predileção por eles, pois agindo na Pessoa do seu Filho, são também seus filhos na ordem de graça.


Todo sacerdote por excelência tem especial dever de manter, nutrir e propagar uma devoção especial a Nossa Senhora. Com efeito, Nosso Senhor não a deixaria em vão a nós; se a deixou, é para que Ela nos formasse com formou ao próprio Cristo para realizar em plenitude sua missão. Assim, a Virgem Maria muito tem a ensinar à toda a Igreja e, de maneira especial, aos sacerdotes, com seu exemplo e virtudes, como ensinou a Jesus durante sua vida[6]. Ademais, também teve papel especial na vida de João e, com certeza, na de todos os outros apóstolos, quando reunidos no Cenáculo esperavam o Pentecostes, a vinda do Espírito Santo em oração; “perseveravam na oração com algumas mulheres, entre as quais Maria, a mãe de Jesus, e com seus irmãos”[7].


As virtudes dessa Mãe amorosa são muitas, e esse simples texto não as esgotariam, sendo assim destaco algumas que, sejam os padres ou os seminaristas, devem sempre aprender com Maria: fé, pureza, perseverança, silêncio fecundo e amor. Essas virtudes são todas por nós conhecidas, mas ganham um sentido mais pleno a partir da perspectiva mariana.


“Eis aqui a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a Tua palavra”[8]. O ‘sim’ de Maria é uma resposta de uma mulher que tem muita fé, que se abandona à vontade de Deus, mesmo diante das possíveis “consequências”. Ela dá uma resposta firme e decidida, sabendo que é a vontade de Deus que se realizara em sua vida. Dá mesma maneira, o padre precisa clamar todos os dias, pela intercessão de Maria Santíssima, para crescer na fé, tornando cada dia mais sinal de Deus aos homens; e não diferente os seminaristas, para que uma vez dado o seu sim, possam ir até o final.


“Toda é formosa minha companheira nela não há macula da culpa primeira”[9]. Se o padre e o seminarista desejam viver a pureza, mesmo que o mundo moderno pregue o contrário, é preciso se apegar à Nossa Senhora, ela é mãe da pureza, Tota Pulchra es. Deus ama as almas puras, e quanto mais um o padre imita a pureza de Maria, mas Deus se agrada de seu ministério; da mesma forma o seminarista, quanto mais se esforça para viver a pureza, mais será firme em sua resposta vocacional. Vivendo a pureza, estará com certeza no caminho da castidade perfeita por amor ao reino dos céus[10]. Ademais, o Oficio da Imaculada nos traz: “ ... és terra bendita e sacerdotal, sois da castidade símbolo real”, Maria tem por missão interceder pelos sacerdotes, que amam a Igreja e o povo de Deus com um amor puro e casto.


“O sacerdote é o homem do altar”, do sacrifício e vítima expiatória, todo os dias traz e “atualiza” em nossas almas o Sacrifício de Cristo na Cruz para salvação da humanidade e, para isso, necessita de perseverança. Na escola de Maria é possível aprender essa virtude, visto que ela permaneceu de pé, até o fim no Calvário, junto de seu Divino Filho e, não diferente, no altar da Cruz permanece junto aos seus filhos sacerdotes, consolando-lhes diante das dores, cansaços, perseguições e tentações. Sua materna intercessão se inicia desde o seminário quando, no calvário das provações, renúncias e dificuldades, os futuros padres carregam sua Cruz junto a de Cristo.


“(...) Sua mãe guardava todas essas coisas no seu coração”[11]. O silêncio de Maria é um silêncio orante e fecundo. Nesse mundo dilacerado pela ditadura do barulho, do externo e das aparências que demonstram, cada vez mais, pessoas vazias e cristãos vazios, o sacerdote, para não ceder a essa tendência, aprende de Maria Santíssima seu silêncio, que não é omissão, mas a marca da vida interior, de amizade e intimidade com Deus. Quando essa virtude é vivida com profundidade e fecundidade – a qual nasce do interior do coração –, o padre silencia a si mesmo, permitindo que Cristo fale nele, nas suas homilias, na sua celebração eucarística, nas confissões e direções espirituais, dizendo com toda profundidade como São Paulo: “Já não sou eu que vivo, mas Cristo que vive em mim”[12]. E isso é Nossa Senhora que o ensina, pois ela se anulou ao máximo para que Cristo nela pudesse reinar. O seminarista mais do que nunca precisa silenciar para ouvir Jesus que o chama, para essa intimidade, é preciso olhar a essa Mãe dileta e deixar-se moldar também por Ela.


A Mãe do belo amor, quer ensinar seus filhos prediletos a amar seu Filho Jesus, pois o Padre precisa amar a Cristo por inteiro, assim como nos diz São João Maria Vianney: “O sacerdote é o amor do coração de Jesus” e o será cada vez mais, na medida em que se abre ao Amor, transmitindo esse mesmo amor aos outros. Viver a virtude do amor é um grande desafio, ainda mais para os padres ou futuros, pois amar não é simplesmente gostar, um fazer, um tentar, isso está longe de o ser; amar é se entregar, sofrer pelo amado, se consumir de amor. Na escola de Maria, seus filhos prediletos aprendem com ela, pois não se acha nesse mundo quem mais amou Jesus do que sua Mãe, a qual fica imensamente feliz quando vê um filho seu se consumindo de amor pelo Amado.


Ainda sobre essas virtudes todas, a Santíssima Virgem Maria, como diz São Luís Maria Grignion de Montfort, “é o caminho mais fácil, curto, perfeito e seguro para Chegar a Cristo”[13]. Assim, se o sacerdote deseja rapidamente ser cada vez mais cheio de fé, perseverança, pureza, silêncio fecundo, amor é unindo-se à Nossa Senhora que alcançará abundantemente tamanhas virtudes, sendo ainda luz para os futuros sacerdotes. Que belíssimos testemunhos são os padres marianos, que vivem essa filiação predileta à Santíssima Virgem.


Por fim é necessário falar sempre da missão dos sacerdotes, esses filhos prediletos e formados de uma maneira especial pela Virgem Maria, de propagar a devoção à sua Mãe querida. O Padre que fala de Nossa Senhora, de suas virtudes e de sua intercessão com certeza é ainda mais lembrado por ela no Céu. Ademais, não basta somente falar, mas ensinar e rezar junto as devoções marianas, que tanto auxiliam a bem viver essa especial predileção: o Santo Rosário, que na aparição em Fátima em 1917, Nossa Senhora pediu aos os três pastorzinhos que rezassem e propagassem, e ainda em tantos outros momentos da história da Igreja, inclusive em exorcismos, em que o demônio fala da força da oração da Ave-Maria; nas Novenas em sua honra nas festas marianas; o Oficio da Imaculada Conceição; e a Consagração Total à Jesus por Maria que São Luís Maria nos ensina no Tratado da verdadeira Devoção, a qual é essa entrega total à Santíssima Virgem, e consequentemente a Nosso Senhor Jesus Cristo.


Nossa Senhora quer muito ser amada por seus filhos prediletos – os quais foram todos consagrados a ela por Nosso Senhor, pois ela sabe como eles precisam de sua intercessão para cumprirem fielmente sua missão. Espera esse amor e devoção sólida ao seu Imaculado Coração, pois toda devoção mariana tem por fim último, Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso salvador. É preciso deixar-se cuidar por Ela.


“ ... A virgem Maria, minha Mãe do Perpétuo Socorro, a Medianeira de todas as graças, cuidará de todos os detalhes, do mesmo modo que fez na casa de João, quando viveu com ele”[14]. Aprendamos cada vez mais dela, e nos confiemos sempre mais a essa boa Mãe!

Nossa Senhora Mãe e Rainha dos Sacerdotes, rogai por nós!

[1] Jo 19, 25. 26-27. [2] Cf Col 1, 17. [3] São José Maria Escrivá, Caminho, n. 66 [4] Hb 5, 10. [5] Lc 22, 19. [6] “Desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. (...) E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e diante dos homens. ” Lc 2, 51. 52. [7] At 1, 14 [8] Lc, 1, 38. [9] Oficio da Imaculada Conceição. [10] Cf. Mt 19, 12. [11] Lc 2, 51. [12] Gl 2, 20. [13] Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. São Luís Maria Grignion de Montfort. [14] In sinu Jesu: Quando o Coração fala ao coração: o diário de um sacerdote em oração. p.19.


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Pastores Dabo Vobis
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