Sacerdote, o homem das virtudes

Rezar e amar é a mais bela profissão do homem! Assim dizia o Santo Cura de Ars ao referir-se à ação do cristão no mundo. Rezar e amar... quão mais alta é posta essa “profissão” àqueles homens que foram chamados a serem pastores de almas, a zelar pelo Rebanho Divino, a serem atalaias sobre o povo de Deus! É por isso que estes homens, apesar de suas fraquezas, são para o mundo um sinal de fé, esperança e amor.



Esses homens – frágeis como a Tenda do povo de Israel –, mas que guardam o mesmo tesouro, de forma ainda mais plena. Se na Tenda Deus falava sob figuras – a nuvem escura, o vento, a voz –, nesses homens Deus se revela inteiramente, em Jesus Cristo, assumido in persona por eles. Eles se revelam para nós como portadores e assuntores das Virtudes Teologais. Afinal, quem mais pode nos ensinar a comunicar-se com Deus senão o sacerdote? Quem nos educa em nossas primeiras orações? Quem, senão o sacerdote, nos fala das coisas do alto e nos dá conhecer a Cristo, em quem depositamos a nossa fé?


É o sacerdote o homem da Fé, o homem que convida os descrentes a crerem, os tíbios a arderem de amor, os fracos a se reerguerem... apenas com sua presença, que não é mais a sua presença, mas a presença de Cristo. Que homem nesta terra pode nos revelar mais claramente a fala de Cristo, a voz de Cristo, o gesto de Cristo, o sorriso de Cristo senão o sacerdote? Ele quem nos introduz no caminho da fé, ele quem alimenta a nossa fé, ele quem confirma a nossa fé. É a figura do Cristo fiel.


Além disso, quem nos dá mais Esperança do que o sacerdote? Quem, senão o sacerdote, nos abre as portas do Céu, já aqui na terra? Sim, as mãos do sacerdote são as portas do Céu, pois ao fazer cair suas mãos sobre o pão e o cálice ofertados no Altar, o Céu se abre para nós, e já não estamos mais no mundo, nem no tempo, mas antegozamos da Eternidade.


Diante de um mundo que nos destroem a esperança e a vontade de viver, é o sacerdote quem anuncia as coisas vindas de Deus, quem nos convida a levantar a cabeça e olhar para o Céu, quem nos chama a sermos perseverantes, mostrando que para mais além da noite tenebrosa neste mundo, há um ensolarado e alegre dia no amanhã da Vida Eterna. É a figura do Cristo que nos estende a mão, dando-nos esperança.


Outrossim, é o sacerdote o homem da Caridade, o homem que nos traz o amor em nossas mãos, em nossa boca: alimenta-nos com o Amor Encarnado; fala-nos d’Ele. O sacerdote é o homem que optou por fazer de sua vida “toda amor” e de seu corpo, instrumento desse amor. Por isso, é pelas mãos do sacerdote que nos vem o Amor na Eucaristia, vem-nos o abraço misericordioso no Sacramento da Penitência, vem-nos o afago paterno no Sacramento da Unção, vem-nos a benção esponsal no santo Matrimônio. É por causa dos pés do sacerdote que conseguimos ver em nosso meio o Amor caminhando entre nós, a Caridade que é feita no seu sorrir, no seu silenciar, no seu olhar, no seu cuidar. É o mesmo Cristo que se doou em sacrifício de amor na Cruz que vemos naquele homem que se doou – e se doa – também por amor.


É um homem sacrifical. Um sacrifício vivo e glorioso nas mãos de Deus, que o ofertou ao mundo como manifestação do Sacrifício Eterno e Perfeito: Jesus Cristo, o Cordeiro. Quer, então, ver o Cristo Glorificado, como está no Céu? Olhe o sacerdote! O homem que parece morto – para o mundo, para as coisas –, mas está vivo e vem para nos falar das coisas santas, daquilo que ele viu e viveu junto de Deus: o seu misterioso e decidido SIM, que mesmo dado há tantos anos, revigora-se a cada passo dado, a cada sacramento distribuído, a cada missão realizada.



Autor:

Luís Felipe

(Diocese de Campina Grande - PB)

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