Santo Cura d’Ars: um padre que foi padre!

Um amigo perguntou-me algo que me fez refletir: “Quem é, hoje, um modelo de padre para você?” Confesso que se eu fosse responder com prontidão, sem refletir, diria vários nomes – de forma muito justa, aliás. Ter bons referenciais, na hodiernidade, tem sido cada vez mais difícil, tanto pelo relativismo que impede os homens de conseguir perceber o que é bom ou mau, mas também, por muitas vezes, não existir, de fato, exemplos que ajudem a repetir virtudes que são essenciais para boas pessoas.

Mas, o que esta pergunta do amigo tem a ver com o Santo patrono dos párocos? Todas as virtudes que tenho admirado em padres que conheço são percebidas, também, e sobretudo, no santo que levou fé ao pequeno vilarejo de Ars.



E todas estas virtudes não se encerram no próprio santo nem nos sacerdotes que o têm por modelo, mas no fim de toda a existência cristã: a vida beata. Em suas homilias, São João Maria Vianney transmitia isso a todo custo a seus fiéis, que faziam filas intermináveis para ouvir seus conselhos nas confissões e suas homilias. “Prestai atenção, meus filhos: o tesouro do cristão não está na terra, mas nos céus. Por isso, o nosso pensamento deve estar voltado para onde está o nosso tesouro. Esta é a mais bela profissão do homem: rezar e amar. Se rezais e amais, eis aí a felicidade do homem sobre a terra.”[1] Com palavras tão simples como estas, muitos foram os que encontraram o Céu.


Levar o rebanho à Pátria Celeste: este era o grande sonho do Cura d’Ars. Os sacrifícios, mortificações, noites sem dormir, horas à fio no confessionário e as liturgias celebradas de forma tal que faziam o Céu tocar a terra, tudo isso, na simplicidade de um homem implacavelmente simples fizeram daquele pobre homem, que quase não fora ordenado, o baluarte das pregações e dos santos conselhos.

Um homem todo consumido para a glória de Deus e para a salvação do povo. Preocupação com dinheiro? Nenhum para si, só para o Santo Sacrifício e para seus pobres. Vaidade consigo? Muito pelo contrário: sua batina e seus sapatos remendados mostravam o contrário. Vontade de alcançar altos cargos? Longe disso! Achava-se indigno e sem preparação para governar até mesmo a pequena Igreja de Ars... Suas palavras, sua história, suas imagens refletem claramente o dom de si que foi a vida deste homem.


E se se pergunta qual é a grande excepcionalidade de sua vida, muitos podem dizer que eram seus dons místicos, seus acessos sobrenaturais ou qualquer outra coisa do tipo, mas não! Mesmo que estas coisas sejam significativamente relevantes, o grande destaque que fez da vida de São João Maria Vianney excepcional foi um só: ele foi padre, simplesmente padre, totalmente padre, unicamente padre!

E esta é a oração que acredito que todo vocacionado, todo padre e os fiéis são chamados a fazer ao rezar pelas vocações sacerdotais: “Senhor, que os nossos padres sejam padres. Simplesmente padres! Totalmente padres! Unicamente padres! Imitação do Cristo Bom Pastor que deu a Sua vida por suas ovelhas e abriu para elas as portas da vida eterna. Ajuda-nos, ajuda-os, ajudai-nos, Senhor! Amém!”



[1] Segunda Leitura do Ofício das Leituras na memória de São João Maria Vianney


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