Santos Anjos da guarda


DEUS, em CRISTO, introduziu-nos em alguns mistérios dos quais nos aproximamos e realizamos com fé e a certeza que dela deriva, mesmo que estes superem em muito o nosso entendimento. Propomos nesta breve meditação, alguns mistérios, que envolvem a nossa relação e comunhão com os Santos Anjos.

Para uma inicial aproximação destes mistérios, devemos recordar que,

Na criação, Deus depositou um fundamento e leis que permanecem estáveis, nos quais o crente poderá apoiar-se com confiança e que para ele serão o sinal e a garantia da fidelidade inabalável da Aliança de Deus. Por sua parte, o homem deverá ficar fiel a este fundamento e respeitar as leis que o Criador inscreveu nele[1].

Com isto, queremos dizer que a realidade angélica em nossa vida nos é dada, necessária e requerida por DEUS, para que alcancemos seguramente a meta proposta por Ele. Esta relação de Anjo e homem faz parte da interdependência das criaturas, que significa “que nenhuma criatura se basta a si mesma, que só existem em dependência recíproca para se completarem mutuamente, a serviço umas das outras”[2].


Primeiro, apresentamos a missão do Anjo da Guarda, que é fundamento para uma íntima colaboração com o ele. O salmo 90, 1-11, que é proposto pela Igreja como o salmo do dia da memória dos Santos Anjos da Guarda, revela inúmeros benefícios que o homem alcança a partir da presença do Anjo em sua vida, ele o livra do caçador e do seu laço; da palavra que destrói; do terror da noite; da flecha disparada em pleno dia; da peste; de todo mal e de toda desgraça[3].


A Igreja ensina que, “cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida.[4]" Portanto, em virtude do batismo, podemos afirmar seguramente, que todos os fiéis possuem um Anjo da Guarda particular. DEUS, em sua benevolência, nos ligou a um Anjo especial, a qual atribuímos o nome de Anjo da Guarda, indicando a sua missão: guardar-nos no caminho, na verdade e na vida, que é CRISTO.


O Santo Anjo nos é destinado com uma missão específica: conduzir-nos ao lugar que DEUS nos preparou,[5] que é o reino dos céus. Portanto, esta missão dura enquanto durar a vida do seu protegido, ou seja, até restar esperança de salvação eterna. Deste modo, a presença do Anjo em nós é tão intensa, que a Igreja afirma: “os anjos cooperam para todos os nossos bens"[6]. De fato, “desde o início até a morte, a vida humana é cercada por sua proteção e por sua intercessão”[7].


A primeira tarefa que temos diante do Anjo da Guarda, é tomarmos consciência de sua presença. O Santo Anjo recebeu uma missão de poder referente a nós e as nossas circunstâncias, por isso, ele está onde o seu protegido está, porque é próprio do Anjo “estar” onde atua com seu poder, ou seja, onde DEUS lhe deu poder de atuar. Assim, vivemos na presença de um Santo Anjo, independente de sabermos disto ou não. Porém, a medida que crescemos nesta consciência, podemos colaborar com ele e desencadear a sua força em nós.


O Anjo está presente, “respeita e ouve a sua voz”[8]! Respeita a sua presença, “porque não suportará as tuas transgressões ... nele está o meu nome”[9]. São Zacarias é um exemplo da delicadeza que devemos ter para o com o Santo Anjo, porque ao receber a Palavra de São Gabriel duvidou, e por causa do descrédito da palavra do enviado de DEUS, recebeu como castigo a mudez por um longo tempo[10].


Devemos desenvolver uma sensibilidade para a presença do Anjo, até que se torne familiar a sua presença diante de nós. A nossa relação com o Anjo deve ser aproximada por meio de atos concretos de fé, a fim de ultrapassar a nossa limitação material. Um costume salutar, para crescer nesta intimidade com o Anjo, é a saudação ao longo do dia, como: “bom dia”; “boa noite”; ou um “Louvor a DEUS”, e convites frequentes, a fim de lembrarmos de sua presença, como: “vinde Santo Anjo participar da Santa Missa”; “ajuda-me neste trabalho”; “ilumina-me nesta leitura”.


O santo Anjo não é inerte em nossa vida, é dele que vem a voz que nos coloca no caminho[11], é o Anjo que nos transmite o desígnio de DEUS. DEUS nos revela, “se ouvires a sua voz e fizeres tudo o que eu disser, serei inimigo dos teus inimigos ... o meu anjo irá a tua frente e te conduzirá”[12]. Portanto, quando o Anjo fala é para que o obedeçamos, pois não fala de si, fala-nos da parte de DEUS tendo sempre a perfeita referência a DEUS e aos seus desígnios.


Uma vez que somos conscientes da presença do Santo Anjo e colaboramos com ele, colocamos em pratica a vontade de DEUS, que nos associou a Ele. Com isto, a nossa vida ganha uma maior dimensão e extensão espiritual, porque o Santo Anjo nos introduz diretamente a uma maior participação nos mistérios de CRISTO. Um destes mistérios, nos é revelado por São Paulo: “o desígnio de em CRISTO reunir todas as coisas as da terra e as do céu”[13].


“Existe uma solidariedade entre todas as criaturas, pelo fato de terem todas o mesmo Criador e de todas estarem ordenadas à sua glória”[14]. O homem, como tal, “é a obra-prima da obra da criação”[15] e possui uma missão central neste mistério: “por meio dele a criação inteira, destina-se à glória de Deus”[16].


Os anjos que “cercam Cristo, seu Senhor, servem-no particularmente, no cumprimento de sua missão salvífica para com os homens”[17]. Então, é certo que o Anjo continua sua missão de servo junto de CRISTO, que é em nós e por nós. Uma vez que a obra realizada por CRISTO continua, principalmente na Eucaristia, os Anjos estão ligados a Ele neste sacramento. Contudo, a Eucaristia é dada aos homens. Assim, a missão concentra-se sobre o homem e depende de sua abertura. O homem detém a responsabilidade de conduzir toda a criação à glória de DEUS. Para tanto, necessita de ajuda e esta ajuda é a do próprio Santo Anjo.


Precisamente, a Eucaristia é o maior dom que temos na Igreja, ela é a própria fonte de vida e de graças da Igreja. No desígnio da recapitulação de todas as coisas em CRISTO, os Anjos devem “entrar” neste mistério junto com e a partir dos homens, fazendo frutificar este dom imenso, abrindo, assim, as comportas da misericórdia divina.


Portanto, em cada comunhão devemos ter a disposição de acolher os desígnios de DEUS, permitindo a participação dos Santos Anjos e, também, de MARIA Santíssima. Isso tudo, para que, de fato, sirvamos a DEUS com todas as forças que nos são disponíveis, desencadeando as graças da íntima associação de todas as criaturas em CRISTO.


Não obstante, a nossa vocação, seja ela qual for, está relacionada com um Santo Anjo da Guarda, que foi dado por DEUS em vista da nossa salvação e participação nos mistérios de CRISTO. Assim, que nesta memória dos Santos Anjos da Guarda, possamos aproveitar as graças próprias hodiernas e continuarmos a meditação proposta nesta reflexão. Deste modo, cresceremos no conhecimento e amor de DEUS, conscientes desde agora, que um destes desígnios é a presença de um Santo Anjo, até o fim da nossa vida.


Que a Virgem MARIA, Rainha dos Anjos e dos homens, nos abençoe e ajude a compreender e a participar da Obra de Seu Filho.


Que DEUS nos abençoe!

Salve MARIA!


[1] CIC., 346. [2] CIC., 340. [3] Sal., 90,3. [4] CIC., 336. [5] Cf. Ex., 23,20. [6] CIC., 353. [7] CIC., 336. [8] Ex., 23,21. [9] Ex., 23, 22. [10] Cf. Lc., 1,10. [11] Ex., 23, 20 [12] Ex., 23,22. [13] Ef., 1,10. [14] CIC., 344. [15] CIC., 343. [16] CIC., 353. [17] CIC., 351.

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