Tolkien, a mente por detrás de O Senhor dos Anéis

O filme “Tolkien” foi produzido pelo finlandês Dome Karukoski. A cinebiografia retrata a vida de J.R.R. Tolkien, o criador das famosas obras “O Senhor dos Anéis” e “O Hobbit” . O filme apresenta a infância difícil com a morte da mãe, a experiência na primeira guerra munial, a amizade entre os amigos do clube do chá e o relacionamento com Edith Bratt, que viria a ser suaesposa. O filme apresenta rapidamente a infância do escritor, detendo-se mais em sua juventude e fase adulta.



J.R.R. Tolkien teve uma vida repleta de desafios. Ainda criança precisa enfrentar a troca de sua casa no campo para viver com sua mãe e seu irmão na cidade grande, o que desagradou bastante o jovem John Ronald. A separação entre cidade e campo fica irrelevante com a morte prematura de sua mãe, deixando-os órfãos. Assim, o jovem passou a ser criado numa pensão, junto com outros órfãos, e tendo como tutor o Padre Francis Morgan.


A trama aborda, principalmente, as amizades baseadas no amor pela literatura, pela música e pelas artes, e o relacionamento de Tolkien com Edith Bratt – namoro proibido por seu tutor para que pudesse se dedicar aos estudos, podendo reestabelecer o relacionamento quando completasse 21anos. O clímax da obra é a convocação de Tolkien e três amigos para a Primeira Guerra Mundial. Após ficar doente durante o conflito, ele retornou para casa, mas levou consigo, em sua memória, a imagem dos horrores vivenciados.


“Tolkien” se mostra um filme bem burocrático, em que o diretor, Dome Karukoski, pareceu ter medo de arriscar, não aprofundando em questões importantes da vida do protagonista. A obra se concentra em alguns pontos da vida do escritor, como a amizade com os companheiros do colégio, e o amor pelas línguas clássicas. Mostra para todos o homem por detrás da obra “O Senhor dos Anéis”.


Apesar de não arriscar muito, o filme também se apega às coisas simples e singelas da vida de Tolkien, e mostra que a genialidade do escritor não vinha de momentos extraordinários, mas das coisas simples da vida. O gosto por contos de fadas vem de sua mãe, a qual sempre lhe contava histórias de guerras, dragões e fadas. Aqui se tem indício da influência que o levou a se apaixonar e a criar um universo tão grande como o de suas obras. O seu amor pela literatura faz com que ele se aproxime de três rapazes que, assim como ele, queriam mudar o mundo por meio da arte, da música e da poesia, fazendo com que criassem um clube para partilharem suas obras.


O filme prende muito a atenção pelo fato de mostrar que Tolkien não ficou horas e horas para poder escrever suas obras, mas que elas saíram do seu cotidiano. Tudo na vida dele foi inspiração para criar todo um universo de fantasia. Existem muitos flashbacks que levam o espectador a perceber que existe ligação entre a vida do autor e sua obra, mostrando que seus escritos literários são frutos de uma experiência real, que nos revela a alma do Escritor.


Todo o filme mostra que a inspiração para escrever seus livros veio dos acontecimentos ordinários da vida. Dessa forma, a realidade do amor está muito presente, ganhando espaço em duas dimensões principais. O primeiro ponto, e bastante relevante, é o seu relacionamento com Edith Bratt, o qual se inicia na infância, perdura por toda a juventude, e o acompanha até a vida adulta, mesmo quando o Padre Morgan proíbe o relacionamento até o termino dos estudos. O segundo aspecto é a construção da amizade e o valor que os amigos têm em sua vida.


Apesar de focar na realidade da amizade e no relacionamento com sua esposa, o filme não entra naquilo que foi essencial na vida de Tolkien, a sua fé católica. J.R.R. Tolkien foi um católico muito devoto, e sua fé teve grande influência tanto na vida quanto nas obras. Para ele, a fé era o centro,o que pode ser notado nas cartas que escreve para seus filhos e amigos. Nessas cartas, ele destaca a sua mãe como uma grande mártir da fé, por ter saído da Igreja Anglicana para abraçar a fé Católica, fato que encontrou grande rejeição da família, que não professava a mesma fé. Antes de morrer, sua mãe cuidou para que os filhos não deixassem o catolicismo, por isso deixou o Pe. Francis Morgan como tutor.


O relacionamento com o Pe. Morgan e a morte da sua mãe são mostrados de maneira bem rápida no filme, assim como a sua conversão ao catolicismo. Nesse ponto o filme é bem superficial, deixando de apresentar detalhadamente aquilo que teve um papel importante para sua vivência de fé. Todo o desenvolvimento do relacionamento com sua esposa, a sua experiência na primeira guerra mundial, e a criação das obras “O Hobbit” e “O Senhor dos Anéis” são a base de todo o filme e é bem desenvolvido, mas a fé do J.R.R. Tolkien é deixada de modo secundário e sem aprofundamento.


O filme em seu conjunto é muito bom, mostra o melhor lado dadimensão humana e que a genialidade nasce dos aspectos mais simples da vida do homem. Tolkien era uma pessoa simples que queria mudar a realidade das pessoas através daquilo que ele mais gostava, ou seja, a literatura. A fantasia desperta no homem aquilo que ele tem de melhor e que inspira virtudes. Tolkien descobriu isso e fez com que sua obra não fosse só uma história de contos de fadas, mas que inspirasse o homem a buscar coisas mais elevadas.


Para aqueles que são fãs do autor, o filme será muito bem recebido, sobretudo pelas referências às suas obras. Quem nunca leu os livros sairá com vontade de conhecer mais das suas obras literárias, porque a história em si é muito inspiradora. “Tolkien” é uma obra cinematográfica que carrega todas suas limitações, mas de forma geral é um filme muito motivador que mostra o melhor lado da realidade humana. Não se apega aos aspectos ideológicos nem deturpa aquilo que era realmente a vida do autor.


O filme incentiva a não fugir do mundo, mas mudar a realidade em que vivemos, mostrando que a mudança começa por cada pessoa. Ao invés de enterrar talentos, o filme e a vida de Tolkien apresentam a necessidade de utilizá-los, a fim de oferecer ao mundo uma perspectiva de mudança. Por detrás daquilo que o cinema apresentou, nota-se um homem de uma conduta reta e de uma fé grandiosa, o qual sempre buscou a verdade, utilizando da literatura para elevar a sua alma a Deus.


Autor:


Pastores Dabo Vobis
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